"Enviar uma carta é um bom meio de ir a algum lugar sem mover nada a não ser o coração." (Phillis Theroux)

terça-feira, 4 de maio de 2010

DEPOIMENTO PESSOAL - por Nidiane Latocheski

Desde muito pequena me interesso por cartas. Fui estimulada por primos, amigas, amigos, namorados a escrever, e principalmente, RECEBER cartas!!
Nossa!! Quanta emoção em ver no envelope o meu nome! Saber que alguém lembrou de mim.. Esses sentimentos são inevitáveis, porque corresponder significa vínculo.

Lembro-me que aos 9 anos escrevi minha primeira carta mais séria, de verdade! Daquelas que podemos postar e o destinatário receber.. foi à Adriana, minha prima que mora no Sul do país. Sempre íamos viajar para lá nas férias. Então, para continuar nossa amizade entre primas, resolvemos nos corresponder. as cartas demoravam em torno de 15 dias para chegarem em Vilhena/RO.
Também pude contar com tias e outros parentes na troca de correspondências.. E o legal é que eles dispensavam seu tempo, escrevendo pra mim..

Então, aos 14 uma amiga querida,  Shirley, foi embora para Cuiabá. Nos conhecíamos desde a 7ª série.. Nosso compromisso de amizade foi literalmente selado através das trocas de cartas. Até um caderno foi escrito por mim, contando a rotina adolescente da qual eu vivia e não mais compartilhava pessoalmente com ela..

Depois foi a vez dos namorados à distância..(nem tantos!) Mas, dois é o número exato! Robson - um namoradinho que tive aos 14 anos, de pouca duração. Ele estudava fora em uma Escola Agrotécnica e nos correspondíamos com alta carga emocional, frases de efeito, mensagens de carinho..Durou alugns meses apenas. Um fã paranaense (não conta como namorado) morou em algum tempo e mandou-me uma carta toda saudosista após ir embora daqui, com foto dele, planos de me ver novamente, de ter algo sério..mas, eu só tinha amizade por ele. Nem o respondi.. Mesmo porque meu interesse estava em outra pessoa, no meu primeiro amor. Essa é uma das histórias bem longas, que não caberia aqui..Trocamos muitas cartas e alimentavámos o sonho de nos rever quando tivéssemos condições.. namoramos assim por mais ou menos 3 anos... Puxei assunto por carta com ele, solicitando após uma das viagens ao sul uma letra de música (Faroeste Caboclo), pois, ele tocava violão. E ele me mandou a letra e as cifras em várias páginas datilografadas.. Foi um sonho, né? Depois as cartas ficaram cada vez mais frequentes. No meu aniversário de 18 anos, mandou-me um ursinho de presente.. Esse relacionamento rendeu, hein! rsrs .. mas, terminamos por falta de disponibilidade, devido à distância.

Depois, o noivado..
com meu marido, foi iniciada a troca de frases interessantes de pensadores.. ele depositava no armário onde guardava meus materiais na escola.. sim! ele também é professor. Nos conhecemos na escola, mas quando o vi pela primeira vez não gostei! Nem imaginava que ali no "antipático", "metido", "sabixão" teria minha felicidade completa e uma família tão linda.. Quando noivamos compramos cadernos e trocávamos a cada reencontro, pois, ele se mudou pra Porto Velho devido a uma proposta melhor de trabalho.. Ficamos noivando por 1 ano e trocando muitas confidências, planos, sonhos, muitos sonhos!! Quando dava também escrevíamos cartas.. tenho todas elas até hoje.. amareladas pelo tempo.


As primeiras entre amigos e parentes, infelizmente, não pude salvar da umidade e de ácaros.. então, precisei jogar fora, com muita dor no coração.. Lembro-me que contei mais de 100 cartas recebidas ao longo de 10 ou 12 anos.. hehe

Só quero concluir esse relato desejando que você, nobre leitor, possa encontrar parceiros de jornada para se corresponder muuuuito!! Vale muito a pena, porque as emoções são eternas.. EXPERIMENTE!!

Um comentário:

Maria Paula disse...

Mas gente... quanta coisa em comum hein...
Também tenho muuuuuuuitas cartas Nidi... Quando vejo seus projetos me dá uma certa vontade de ir pras salas de aulas da vida...
bjão
Maria Paula